Por Liliam Benzi* Fato: a indústria do plástico não pode mais manter-se contemplativa à transformação…

A verdade sobre os plásticos e o perigo do greenwashing
Por Liliam Benzi*
O uso de plásticos tem sido um dos temas mais discutidos em debates ambientais, mas também um dos mais mal compreendidos. À medida que o debate em torno dos impactos ambientais dos plásticos cresce, é fundamental que a comunicação seja clara e baseada em fatos, combatendo o fenômeno do greenwashing com seriedade.
O 5º Congresso Brasileiro do Plástico (CBP), organizado pelo Instituto SustenPlást em São Paulo, trouxe à tona várias questões que desafiam a visão popular sobre o plástico e suas implicações para o futuro sustentável.
Em sua apresentação, Ronald Sasine, expert em embalagem e varejo, destacou a importância da comunicação eficaz sobre os benefícios dos plásticos, e afirmou: “O futuro do plástico segue promissor, mas muito dependerá da comunicação dos benefícios desse material e do compartilhamento de informações claras e precisas para o consumidor fazer as decisões de compra no varejo.”
Isto porque a indústria do plástico enfrenta o enorme desafio da percepção pública que coloca este material, frequentemente, como o grande vilão ambiental. Essa narrativa, muitas vezes, é explorada por políticos e indústrias que se beneficiam de um discurso ambiental superficial, o famoso greenwashing. Nesse contexto, é necessário checar os fatos e “seguir o dinheiro” para entender quem realmente está por trás das campanhas contra ou a favor do plástico.

O Paradoxo dos Plásticos
No livro homônimo, escrito por Chris DeArmitt, que palestrou no 50 CBP, fica claro que há percepções equivocadas e disseminadas pela mídia e ONGs sobre os plásticos. Por exemplo, ao contrário do que se fala, estudos de ACV (Análise do Ciclo de Vida) revelam que os plásticos são mais sustentáveis do que suas alternativas como vidro, algodão e metais, que consomem mais energia e geram mais emissões de carbono. Os estudos indicam ainda que substituir plásticos por outros materiais aumentaria significativamente o peso e as emissões de CO2 das embalagens.
Segundo o Relatório de Impacto Climático dos Plásticos da McKinsey & Company (2022), citado no livro, em 13 de 14 ACVs estudados, a participação dos plásticos nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) foi bem menor quando comparado a alternativas não plásticas. Além disso, a redução de GEE varia de 10% a 90% quando considerado o ciclo de vida completo do produto.
O estudo analisou itens como sacolas de supermercado, embalagens de carne fresca e frascos de sabonete líquido. Em 90% das análises, os plásticos se mostraram mais sustentáveis do que suas alternativas, contrariando a narrativa predominante de que o plástico é sempre o maior vilão ambiental.
Sobre a poluição por microplásticos, DeArmitt também mostra que fragmentos menores que 5 mm são uma das preocupações mais alardeadas. Esses polímeros escapariam dos processos tradicionais de tratamento de águas residuais, chegariam aos oceanos e sua ingestão por organismos aquáticos causaria uma contaminação em cadeia. Contudo, os impactos ambientais desta suposta contaminação não são conclusivos e ainda estão sendo estudados e discutidos.
Inclusive, estudos recentes apontam que a quantidade de plásticos que chega aos oceanos, a partir dos rios, é 100 a 1.000 vezes menor do que se pensava. Este é um dado importantíssimo para se recalibrar o entendimento sobre a poluição plástica e rever inverdades.
O Paradoxo dos Plásticos destaca ainda o abismo entre a percepção pública e os fatos científicos. Embora a preocupação com os plásticos seja válida, a solução para os desafios ambientais exige uma análise crítica e baseada em dados sólidos, evitando o greenwashing e mitos que agravam a situação. Eliminar os plásticos sem uma análise adequada pode causar impactos ambientais ainda maiores, sendo necessário foco em uma gestão inteligente e sustentável.
Na crise do greenwashing surge o Recircula Brasil
O greenwashing — prática pela qual empresas e grupos utilizam falsos discursos ambientalmente corretos para melhorar sua imagem — tornou-se uma das maiores barreiras para a implementação de soluções reais. Muitas vezes, soluções “verdes”, alternativas ao plástico, são promovidas sem uma análise completa do impacto ambiental. Como resultado, materiais considerados mais “amigos do meio ambiente” acabam sendo mais descartados e menos reciclados, o que agrava ainda mais o problema dos resíduos.
Em meio a tantas informações equivocadas e infundadas, a plataforma Recircula Brasil surge como uma solução inovadora para rastrear resíduos plásticos no país, desde sua origem até a reinserção na cadeia produtiva. Desenvolvida pela ABIPLAST e ABDI, a plataforma, que visa promover a reciclagem, já foi reconhecida pela ONU como um case de sucesso. Essa iniciativa é um exemplo de como a inovação pode ser usada para resolver problemas ambientais de maneira efetiva e sustentável.
Por tudo isso, o plástico, longe de ser um vilão, desempenha um papel crucial na sociedade moderna e contribuiu – e segue contribuindo – muito para sua evolução. O problema não está no material, mas na forma como ele é consumido, descartado e tratado no pós-consumo. Falta comunicação e educação!
Soluções inovadoras e o compromisso de todos os setores também são essenciais para equilibrar os benefícios dos plásticos com a responsabilidade ambiental. O desafio é grande, mas a busca por um futuro sustentável não deve ser comprometida por preconceitos ou práticas de greenwashing que desviam o foco dos reais problemas ambientais.
E boa parte da solução reside ainda em uma comunicação honesta e em políticas públicas baseadas em ciência sólida. A indústria do plástico pode ser parte da solução, desde que todos trabalhem juntos para garantir um consumo e descarte conscientes.
É preciso uma visão equilibrada, que considere os benefícios e os desafios dos plásticos. Qualquer debate sobre o uso de plásticos deve ser baseado em ciência e não em narrativas simplificadas, priorizando soluções reais em detrimento de campanhas superficiais que, muitas vezes, mascaram os verdadeiros problemas ambientais.
*Liliam Benzi cobriu o 50 Congresso Brasileiro do Plástico com exclusividade para a ABIEF a convite do Instituto SustenPlást. Ela é especialista em comunicação, marketing e desenvolvimento de negócios e de estratégias para B2B, com ênfase no setor de embalagens.
Também atua como editora de publicações e Assessora de Comunicação de diversas empresas e entidades, entre elas a ABIEF.
Foi eleita Profissional do Ano pela Revista Embanews. Também é Press & Communication Officer da WPO (World Packaging Organization – Organização Mundial de Embalagem) e está à frente da LDB Comunicação Empresarial desde 1995 (ldbcom@uol.com.br).
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